Thursday, May 25, 2006

O senhor de Barba Branca

No bar, que costumo frequentar,
um homem de barba branca,
com punhado de discos,
começava a se aproximar.

Boa Noite, como vai?
Esses são meus discos,
são de boa qualidade,
gostaria de apreciar?

Eu já havia visto esse homem,
várias vezes no bar,
então convidei-o para sentar.

Eram bons os discos,
realmente quis olhar,
acabei escolhendo um rápido
para a negociação se acertar.

Ao entregar o dinheiro, ele agradeceu,
mas na mesa tinhamos uma porção de mandioca,
e dela meu amigo lhe ofereceu.

Usou o garfo ao lado sem perguntar
e comendo a mandioca,
de música e músicos começou a falar:

Eu tenho um disco em minhas mãos
que é uma raridade,
é música regional
pura brasiidade.

Desse disco você não escontra por ae,
ainda mais com capa dupla e encarte,
isso aqui meu amigo, é Brasil de verdade.

Isso aqui é Xangai,
Eu gosto muito!
Olha, pode comprar,
o seu mestre é o Elomar.

Elomar?
Elomar Figueira de Melo,
disse a moça sentada ao lado,
com maquiagem no rosto
e cabelo quadrado.

Já fui em um show dele,
é muito bom mesmo,
se é discipulo do elomar,
deve ser bom, pode comprar.

E o homem de barba branca
concordava e sorria,
escutando a moça falar,
enquanto comia.

Mas como todo papo,
sempre tem o alto e o baixo,
com os braços na mesa,
começou a contar,que ali mesmo naquela bar,
um rapaz fez uma oferta indescente
e que não lhe tratou como gente.

Disse que tudo que o rapaz dizia,
ele ouviu, mas daquele disco não
o venderia mais, nem por mil reais.

E ainda foi chamado de louco,
pelo arrogante rapaz louro.

Da minha mandioca
metade ele comeu,
mas o bom homem
uma lição me deu.

Valorize seu trabalho,
quando é feito com coração,
exija sempre o seu merecido tostão.

Saturday, July 02, 2005

Tarde de Sábado

As folhas se mexem atrás do vidro da varanda
o vento sopra cada uma delas,
trazendo calmaria para o peito.


Um mosquito pousa no vidro,
e dele eu dúvido que consiga
passar por aqui.

Não existe silêncio,
apenas ruídos insignifcantes,
alguns pertos outros distantes,
nada que me faça distrair.

Em um salto gigante,
minha gata implicante,
pula no meu colo
e se ajeita para domir.


Desajeitado e um pouco irritado,
confesso que me sinto esquentado,
por esse bicho abusado.


As folhas se mexem atrás do vidro da varanda
o vento sopra cada uma delas,
trazendo calmaria para o peito.

Monday, May 30, 2005

Música e Mulheres

Nunca ligue uma música a uma mulher,
pois sempre que escutar,
vai lembrar e se lamentar.

Minha dica é assimilar com coisas que
poderá usufruir de algum modo.

Para os gordinhos:
Assimile alimentos com muitas calorias, batata, vitamina de abacate, Mac Donald's, Burger king etc..

Para os preguiçosos:
Assimile com aquela preguiça depois do almoço, ou do sábado de manhã, ou a mais forte, a do domingo á tarde.

Para aqueles que não abrem a mão nem para dar tchau:
Assimile com aquele cafézinho que você toma depois do almoço, ou aquele na parte da tarde, ou o restaurante caro que tem sua massa preferida.


Assimile com todas as outras coisas que você queira que passe na sua vida, menos música, não tem como viver sem música, e nem sem mulher. Mas com tudo isso, com certeza quando encontrar a mulher da sua vida, você estará magro, bem disposto, e com carro do ano.

Thursday, March 17, 2005

Bate-Papo

- é a vida
- bonita
- suave
- com dor no estômago
- escreveu coisa nova?

Ah vida, se tu fosse fácil como nos filmes que passa na televisão depois que todos dormem, seria mais fáci aguentar a dor que me carrega, que me sufoca, que me empata. Se tu fosse como uma expressão que se usa para todo aquilo que é morto e matéria, seria mais intensa, mais vivida. Oh vida, me tire dessa ilusão, faz juz a palavra dada a sua função.

- você escreveu ? vamos fazer um blog de poesia.
- eu queria que escrevessem minha biografia, uma história tao linda e impressionante que é minha vida!
- as vezes tenho vontade de escrever o que acho das pessoas, mas nunca tive a oprtunidade de falar...

Friday, March 11, 2005

Feijao

Sujeito sorridente, com feijão no dente, não para de falar. As pessoas continuam a rir, mas não tem coragem de dizer que exite um feijão em seu dente, mesmo ele falando sem parar do programa que viu na TV com sua esposa.

Ele levanta da mesa com feijão preso entre os dentes, continua contando casos, rindo, cumprimenta o amigo do antigo trabalho que passou ao lado da mesa, sorri para todos dando até logo e se dirige ao carro. Entra no carro, liga o som, coloca o cd preferido, começa a entrar no clima da música, coloca o braço na janela conduzindo a direção apenas com uma mão, reduz a velocidade, para no farol. Levanta o braço direito, passa a mão no cabelo, ajeita ao seu gosto, olha para o retrovisor, suavemente abri um sorriso vencedor, como se falasse para si mesmo, você é o cara, e então, o feijão olha para ele, ele olha para o feijão, começa um filme em sua cabeça, ele começa ficar vermelho, lembra de todos os casos que ele abriu o sorriso, e como se passou por idiota fazendo piadas. Desliga o som, dirige calado, pensa nos rostos das pessoas em sua volta enquanto ele estava dom feijão no dente, suspira, chega em sua casa.

Sua esposa feliz ao ver seu marido chegar em casa, abre os braços, o sujeito injuriado passa na porta sem olhar para os lados, ela sem entender fecha a porta e senta no sofá, em segundos já se concentra na cena de sua novela preferida.

O sujeito depois de um banho, relaxa, e ao sair de toalha do banheiro cheio de vapor, pergunta:

O que tem que comprar que esta faltando em casa Fulana?

- Ahn? Ah, feijão amor.

No Bar

Em volta da minha mesa redonda rústica havia seis mesas formando um círculo. Cada mesa um relato, cada relato um copo, cada copo um trago, e cada trago um sorriso, cada sorriso um bocejo, nas duas mesas da frente, rolava desejo. Três garotos , duas garotas, uma magra, outra gorda.

Uma garota se inclinava, um garoto se mexia, a conversa em si ñao significava nada, o corpo que realmente falava, a perna da garota se movia em direção do garoto, e o garoto balançava o pé com procurando alguma coisa para tocar e enquietar aquele pé que não parava de falar. A garota pega o papel sutilmente, anota o tel, o garoto recebe o papel, agrade com um olhar demorado, vira para sua mesa e pede uma porção de fritas. Todos na mesa atentos para o garoto, com um sorriso no canto da boca, ele olha para os amigos e apresenta o troféu, o tel da menina magra.